Eu Fui Promovida!

Era para ser um dia como qualquer outro, mas o que ouvi mudou minha história

Eu Fui Promovida!

Cheguei ao expediente pastoral como de costume, às 13h e passando pelo corredor, cumprimentando os funcionários e demais pastores em seus gabinetes, dirigi-me ao meu. Coloquei minha bolsa no lugar e sentei quando a secretaria batendo, entrou e me comunicou que as linhas telefônicas haviam sido cortadas naquele momento, por falta de pagamento.
 
Para que você entenda um pouco do que estava acontecendo, preciso lhe dizer que por uma palavra de Deus, em Junho de 1999 adquirimos através de leilão um prédio, com 6700 m² de área construída, totalmente destruído, mais 03 terrenos, bem no centro de nossa cidade – Sapiranga (RS), para nos instalarmos como Igreja.
 
Tínhamos o compromisso de pagar mensal e judicialmente a parcela negociada, e isto, sem que tivéssemos recursos, que precisavam então vir de provisões sobrenaturais, mês após mês, durante o prazo de 60 meses ou seja, 5 anos. Durante este período, os valores a serem pagos variavam, seja pela correção ou devido a um parcelamento feito em determinado momento, quando percebemos a inviabilidade de prosseguirmos em nossas forças. Então mensalmente dentro desta variável, necessitávamos de R$ 5.000,00 a R$ 11.000,00 que não podiam ser retirados das entradas financeiras da Igreja, pois as mesmas já tinham seu destino programado e que com frequência, também faltavam, pois éramos um auditório, na época, de apenas 102 membros e mantínhamos uma Escola de Ensino Fundamental por Princípios Bíblicos.
 
Olhei para a secretária e pensei... Podemos viver sem telefone! A agradeci e disse que em breve tudo seria normalizado.
 
Era uma quarta-feira, dia de culto, e eu sabia que não teríamos recursos para pagar as contas atrasadas... Toda entrada prevista, já tinha destino. Meu interior ficou debilitado e me vi como que sem saída.
Saí de minha sala, fui passando pelo gabinete de cada pastor e os convidando para um momento de intercessão. Chegando à sala, abri meu coração e começamos de forma coletiva a levantar um clamor diante de Deus por provisão financeira. Já estávamos ali há mais de 40 minutos, período em que adoramos, choramos, oramos, clamamos... Quando ouço alguém bater a porta e esta se abrindo, entra a secretária e me diz: - Pastora, acabaram de cortar a energia elétrica do prédio. A agradeci e comuniquei aos demais e a intercessão foi então, intensificada.
 
Se antes me encontrava debilitada em meu interior, agora então, não encontro palavras para expressar o que sentia, porque se o povo chegasse a noite para o culto, sem termos energia elétrica, ficaria claro de que, quem me instruiu a comprar  o prédio não deveria ter sido Deus, senão Ele teria suprido. Os medos, os Golias começaram a me ameaçar. Naquela época, a fornecedora da região, após o pagamento do boleto, tinha por lei o direito de religar a energia em até 72 horas e então, pensando nisto tudo comecei a calcular e vi que a religação ocorreria somente na segunda, ou seja, não teríamos energia elétrica nem para o culto de domingo a noite.
 
Não encontrei mais em mim forças e caí ao chão em prantos. Pranteei como se pranteia por um filho, até se esgotarem todos meus argumentos e somente restar em mim um profundo suspiro, como se nada mais fosse. Minha mente não mais pensava, nem meu coração sentia. Eram apenas suspiros vindos de um interior que sem palavras, via tudo ruir diante de seus olhos.
 
Atirada ao chão, isolada do mundo, eu nada mais era... Os soluços foram ficando espaçados, quando ouvi alguém falar meu nome: “- Vânia!”
A voz era audível a mim e a forma com que foi expressada, a autoridade contida na palavra, foi colocando em ordem meu mundo interior e construindo uma plataforma que tem sustentado a mim e tantos outros durante todos estes anos, e ainda por muitas gerações, e esta voz dizia:
 
“- Eu busquei muitos para realizar esta obra, alguns até aceitaram, mas quando se depararam com dificuldades, recuaram. Agora escolhi você e você me ouviu e obedeceu, quero que entendas que não te abandonei, o que está ocorrendo neste exato momento é uma promoção. Sim, estou te promovendo, quero que compreendas que toda vez que impossibilidades surgirem, você pode escolher desistir ou ser promovida.”
 
Naquele momento, tomada de forças, saí daquela sala e fui direto para o meu gabinete. Peguei o telefone celular e disquei para a fornecedora e disse à atendente: - Somos uma Igreja, acabaram de cortar nossa energia elétrica, temos culto hoje a noite e não podemos ficar sem luz. Sei que não paguei as contas e preciso te dizer que não possuo dinheiro para isto, portanto, não sei te dizer quando o farei, mas eu farei. A atendente me pediu uns minutos e retornando à linha, apenas me disse: - Senhora, em poucos minutos a energia elétrica será religada.
 
Desliguei o telefone e chorei. Não mais como por um filho, mas pelas minhas misérias, por não ser capaz de compreender que Deus não quer o sofrimento de seus filhos, e sim que O conheçam; por acreditar que eu devo ser a resposta, quando Ele é o caminho.
 
Enfim, em poucos minutos todas as luzes se acenderam; quando obtivemos os recursos, quitamos as contas e o dia continuou como mais um outro, porém eu...
Eu nunca mais fui a mesma!
 
Eu fui promovida!


Vânia Rorato